Saiba como proteger a casa da chuva e da umidade

A impermeabilização garante a saúde do imóvel e de quem vive nele. Confira as dicas de especialistas e previna infiltração e umidade

Investir em um projeto completo de impermeabilização durante a construção do imóvel ou não? Eis a questão! Quem ficar com a segunda opção, a curto prazo, pode economizar de 1% a 3% do valor total da obra. Parece tentador? Pois saiba que, nesse caso, o caminho estará livre para o surgimento de toda a sorte de vazamentos e infiltrações que, fatalmente, exigirão reformas futuras. E é aí que o barato sai caro: os gastos com esses reparos podem chegar a 15% do valor total da obra, além de envolver uma boa dose de estresse, desconforto e até prejuízos para a saúde dos moradores.
Mas, antes de mais nada, você sabe o que é impermeabilização? Trata-se de um conjunto de técnicas construtivas que impedem a passagem da água em uma determinada área de uma edificação. No caso de uma laje de cobertura, o objetivo é evitar a penetração das chuvas. Nas fundações, por sua vez, a proteção é contra a infiltração da umidade do terreno. Já em um banheiro, o essencial é garantir que toda a água do banho ou da lavagem escorra corretamente pelo ralo. Quando essa proteção é inexistente ou feita de forma superficial, o problema logo se faz notar, por exemplo na forma de bolhas, manchas e pontos de bolor na pintura. O resultado não é nada bonito, mas a questão estética está longe de ser o maior incômodo. O excesso de umidade deixa um odor desagradável em toda a casa, pode causar problemas respiratórios (veja mais no quadro ao lado) e ainda coloca em risco a segurança da edificação. “Se não houver estanquidade, a água pode atingir e corroer a armadura de concreto, tornando instável a estrutura do imóvel”, alerta o engenheiro civil André Fornasaro, especialista em impermeabilização.

Os perigos do “jeitinho brasileiro”

Considerando todos os riscos envolvidos em descuidos com a impermeabilização, fica a questão: por que será que essa fase da obra ainda é, muitas vezes, menosprezada por quem constrói? De acordo com Fornasaro, a explicação pode estar no pensamento imediatista: “Infiltrações sem nenhum tipo de reparo costumam demorar em torno de 30 anos para derrubar uma estrutura. Ou seja: uma vez que o acidente não é iminente, acaba relegada a um segundo plano”. “É também uma questão cultural no nosso país”, complementa o engenheiro civil Roberto Massaru Watanabe. “Mais de 90% da nossa mão de obra não recebe orientação técnica adequada, isto é ‘aprende fazendo’. O resultado é que um pedreiro experiente pode acreditar que o que faz é ótimo, uma vez que ‘nunca deu problema’. Mas é preciso considerar que esse profissional, em geral, ergue uma casa e vai embora. Quando um problema de impermeabilização surge, às vezes anos depois, simplesmente ninguém vai atrás do pedreiro”.

O que fazer?

Experts no assunto são unânimes ao afirmar: para conquistar um lar seco, sadio e agradável, o primeiro passo é contar com um projeto de impermeabilização – e trata-se de uma etapa tão importante quanto a realização dos projetos de elétrica ou de hidráulica. “Existem no mercado profissionais que fazem somente esse tipo de serviço, o que não costuma ser muito caro. Tal projeto contempla todos os pontos que exigem impermeabilização, desde a fundação até os arremates em ralos e rodapés. Nele, estará especificado o material indicado para cada situação, bem como a melhor forma de utilizá-lo”, elucida José Miguel Morgado, diretor executivo do Instituto Brasileiro de Impermeabilização (IBI). De posse de um projeto adequado, o passo seguinte é assegurar a correta execução das soluções indicadas. “Alguns sistemas exigem mão de obra especializada, enquanto outros são mais simples de aplicar: até pessoas leigas podem fazê-lo, desde que se siga corretamente as instruções da embalagem. Alguns fabricantes disponibilizam, ainda, tutoriais passo a passo em seus sites, além de departamentos técnicos prontos para tirar dúvidas e dar o suporte necessário”, diz Ricardo Faria, engenheiro civil e coordenador técnico da Vedacit. Quem preferir contar com uma empresa que faça o trabalho completo pode conferir uma lista de opções em diversas regiões do Brasil, disponível neste link do site do IBI: http://ibibrasil.org.br/empresas-associadas.

15 % do valor total da obra: esse é o preço do prejuízo

De olho na saúde

Quem dera apenas a construção sofresse quando há falhas na impermeabilização de um imóvel! Os danos, no entanto, se estendem à saúde dos moradores. “O que popularmente chamamos de mofo ou bolor são manchas formadas por fungos. Esses organismos podem causar diversas alergias e infecções do sistema respiratório, como a asma e a rinite alérgica”, esclarece o médico Pedro Francisco Giavina Bianchi Jr., diretor da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai). Além disso, os fungos também servem de alimentos para os ácaros, que normalmente se instalam em tapetes, sofás, colchões e roupas de cama, sendo outra das principais causas de alergias respiratórias. Ou seja: em locais em que há fungos, há ácaros e, consequentemente, perigo em dobro! Além de contar com uma impermeabilização caprichada, manter a casa bem ventilada ajuda a combater esses microrganismos. “O cloro tem o poder de matar os fungos, sendo, portanto, recomendado para higienizar as áreas mofadas”, aconselha Bianchi.

S.O.S.: como acabar com o bolor?

Quem sofre com paredes mofadas deve, em primeiro lugar, investigar a origem da patologia. Em cômodos com instalações hidráulicas próximas, cheque se há vazamento nos canos. “A simples pressão nas tubulações é capaz de verificar a existência desse problema, que pede o serviço de um encanador”, avisa José Miguel Morgado, do IBI. Já se o mofo for mesmo decorrente da falta de impermeabilização, o correto é reparar o foco da infiltração.

Quando o erro de vedação ocorreu nas fundações do imóvel, não é possível corrigi-lo diretamente. “Se pelo menos o tijolo usado no miolo das paredes for de boa qualidade, a estabilidade da estrutura estará assegurada. Desse modo, é possível remover o revestimento danificado e aplicar argamassa comum com cal e areia, acrescida de aditivo mpermeabilizante. Em seguida, basta cobrir com um novo revestimento. A umidade continuará dentro da parede, mas ficará confinada ali, sem causar estragos”, ensina Watanabe.

Há ainda situações em que o bolor, presente principalmente em tetos de banheiros, é causado simplesmente pelo vapor do banho – tinta inadequada e falta de ventilação costumam ser os agravantes nessas situações. “Uma lavagem com uma medida de água sanitária, cloro ou vinagre para dez medidas de água pode eliminar o mofo”, aponta o engenheiro André Fornasaro. Em casos de danos severos, essa limpeza deve preferencialmente ser seguida de lixamento, aplicação de massa corrida e repintura.

Proteção de cima a baixo

Confira as sugestões dos especialistas para assegurar a correta impermeabilização das principais áreas da casa sujeitas à ação da umidade.

1 Coberturas

A exposição direta a chuvas e sol torna as lajes de cobertura extremamente vulneráveis a rachaduras e, consequentemente, a infiltrações. A maior particularidade dessas áreas é o fato de que as variações climáticas dilatam e contraem a estrutura continuamente, razão pela qual o indicado é adotar uma impermeabilização flexível, capaz de acompanhar essa movimentação. Para lajes em que não há trânsito de pessoas, as membranas acrílicas costumam ser boas opções, devendo ser aplicadas na superfície limpa sem partículas soltas nem trincas – caso existam, elas podem ser corrigidas com selante. “Não indico o uso de manta asfáltica, porque trata-se de um material orgânico que os cupins adoram devorar. O único lugar para o qual indicaria é a laje de piso do banheiro, que recebe por cima um revestimento cerâmico”, aconselha o engenheiro Watanabe. Em caso de metragens acima de 50 m², a instalação de telas de poliéster pode servir como reforço à impermeabilização acrílica. Já para evitar o empoçamento da água da chuva, considere a instalação de ralos com caimento entre 1% e 2%. Uma alternativa às lajes de cobertura é a construção de um telhado, que deve contar com telhas projetadas para impedir a passagem de água, obedecendo a regras da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Telhas antigas, mais porosas, podem se tornar impermeáveis com a aplicação de hidrorrepelentes, que deve ser refeita de tempos em tempos. “A situação ideal, no entanto, é ter a laje e o telhado por cima, já que telhas podem se soltar ou quebrar”, alerta Watanabe.

2 Fachadas

Sujeitas à pressão da chuva e outras intempéries, as paredes externas exigem atenção para garantir a vedação do imóvel. Quando a impermeabilização não é adequada, pode ocorrer o desplacamento do revestimento, bem como o surgimento de rachaduras, bolhas, manchas e bolor tanto no exterior quanto no interior da edificação. “A definição do produto apropriado depende do revestimento da fachada, ou seja, pintura vai exigir uma solução, pastilhas outra, e assim por diante”, explica Cirene Tofanetto, gerente técnica da Viapol. Seja qual for a situação, o reboco que receberá o impermeabilizante deve estar firme e desempenado, sem partículas soltas nem nata de cimento – no caso de haver trincas e fissuras preexistentes, o primeiro passo é fechá-las com selante.

O ideal é proteger TODAS as áreas da casa que tenham contato com água.

 (Ilustração Alice Campoy/Minha Casa)

3 Áreas molhadas internas

Banheiros, cozinhas e lavanderias são locais críticos, uma vez que estão sujeitos à formação de lâminas d’água: sem os devidos cuidados, a umidade atinge primeiro o piso e, em seguida, pode migrar para as paredes – inclusive dos cômodos vizinhos – causando bolhas, focos de bolor e descascamento de pinturas, bem como o afofamento e desplacamento de revestimentos cerâmicos. Favorecer o escoamento da água é primordial: o caimento do piso deve ser de pelo menos 1% em relação ao ralo – este, por sua vez, pede boa fixação e vedação com silicone. Já a impermeabilização do piso e dos rodapés a uma altura mínima de 20 cm pode ser feita com produtos de base cimentícia, asfáltica ou polimérica. Outra necessidade, especialmente em boxes de chuveiros, é a minimização da porosidade dos rejuntes, que deve ser assegurada com seladores próprios para esse fim.

4 Fundações 

Os alicerces da construção (a exemplos de vigas baldrame e sapatas) se mantêm em contato direto com a umidade do terreno. Caso esses elementos não sejam impermeabilizados, é problema grave na certa: por meio do fenômeno conhecido como capilaridade, a água tende a subir, atingindo em cheio pisos e paredes até 1 m de altura. A longo prazo, a própria estrutura de concreto pode ser corroída. “A fundação deve ser vedada desde a execução da mesma com a utilização no concreto de um aditivo impermeabilizante. Caso o baldrame já esteja pronto, é possível cobri-lo com pintura asfáltica, manta asfáltica ou argamassa polimérica, por exemplo”, detalha a gerente da Viapol. Ainda, para se ver livre da umidade que vem do solo, jamais construa o piso diretamente sobre a terra: lajes impermeabilizadas são essenciais em todos os ambientes.

Dica MINHA CASA

Apesar da infinidade de produtos para impermeabilizar, há duas soluções curinga. “Uma é o aditivo impermeabilizante para concreto e argamassa, que vai misturado a esses materiais. A outra é a tinta asfáltica aplicada sobre a superfície já assentada de concreto ou argamassa em contato com o solo”, diz Watanabe. “Só não os utilize sobre uma estrutura já danificada”, complementa.

Opções de aditivos: Vedacit, da Vedacit. C&C , R$ 57,72 Contra Umidade, da Viapol. C&C , R$ 50,92 Sika 1, da Sika. Leroy Merlin, R$ 57,90 (latas de 18 litros) Tinta asfáltica: Neutrol, da Vedacit. C&C , R$ 189,47 Igol S, da Sika. Leroy Merlin , R$ 224,90 Viabit, da Viapol. Leroy Merlin, R$ 184,90 (latas de 18 litros)

Preços pesquisados em 8 e de fevereiro de 2018, sujeitos a alteração.

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